Smilodon fatal

Por trás de tudo o que existe há uma história a qual a curiosidade e perseverança nos faz descobrir! Assim como a que nos deparamos agora, com o que podemos chamar de destino que nos leva a descobrir algo que se esconde por muitos anos e por algum motivo são revelados na hora certa, criando uma oportunidade impar.

Após muito tempo de procura e buscas incansáveis durante o mar de obrigações que temos que enfrentar ao longo de todos os dias, surge uma pista de um ícone da indústria sendo posto a sorte a algumas milhas do nosso QTH de sossego. Após colher inúmeras informações e feito às escuras para não despertar curiosos, são elaborados os passos para o resgate, e assim trazer o que poucos conhecem por Gran Super Injection de volta as estradas, de onde nunca deveria ter saído. Após o nascer do sol, inicia a jornada que duraria doze badaladas para finalmente chegar ao destino…

Depois de horas, que mais pareciam séculos, estamos minutos antes de se deparar com o sonhado encontro! Ao longe o brilho branco ofuscava a visão até se aproximar.., circular.., abaixar.., abrir.., ligar.., DIRIGIR.., e… Desilusão completa, o que mais parecia um cordeiro avia se transformado em uma lebre! Após muita conversa e mais decepções decido procurar onde iria passar a noite para avaliar e pensar melhor no que fazer!

Na manha seguinte e de volta ao tão “sonhado” local, e depois de ter mais má noticias e ser mal tratado, decido ir almoçar e esfriar os ânimos. Após almoçar, por um breve instante observo um jornal dobrado em uma das mesas, e por “curiosidade” dando uma folheada surge a tal “LUZ NO FIM DO TUNEL” a qual descrevia tudo o que procurava ali tão longe. Depois de entrar em contato com o proprietário e não ligar para quanto iria dar o taxi, chego ao local indicado, onde encontrei um senhor o qual me fez entrar em uma garagem onde apenas avistei algo que deveria ser mais um dos milhões de carros de plástico que estão por ai e uma moto. Já pensando que tinha encontrado mais um lugar par ter decepções o senhor me conduz a uma minúscula garagem nos fundos da casa muito bem trancada… Quando os primeiros raios de sol envolvem o local algo coberto se surge diante dos meus olhos muito bem protegida através de um tecido cinja aveludado, e assim como um passe de mágica, surge o sobrevivente!

Agora sim, cheiro típico e muito bem cuidado, reluzente ao sol e depois de proceder da mesma forma do anterior me encontro a apenas um passo de adquirir o tão sonhado sonho de consumo e que fez parte dos sonhos de muita gente duas décadas atrás, mas parte da realidade de poucos! Após muita conversa e decidir que ele seria meu, não perco tempo e vou atrás providenciar a documentação (porque já havia outra pessoa que tinha marcado de chegar ali e comprar o meu carro!). Após tudo feito como manda o figurino. Tiro da minha mochila de viagem o famoso aviador e entro naquela nave que me fez mais feliz do que criança solta em uma loja de brinquedos.., mas como o sol já estava se despedindo, resolvo voltar para onde passei a noite anterior e dormir, pelo menos tentar, antes de pegar a estrada…

O dia sonhado chega finalmente, me acomodar ao conforto de um RECARO, ajustar a altura da direção, abrir o teto solar, ligar o som e finalmente acelerar pelo manto preto e percorrer horas e mais horas domando a fera branca.

Se existe algo melhor que pegar a estrada sem se preocupar com horas ou problemas não encontrei ainda.., sentir o vendo passando e não se preocupar com falta de potencia em uma ultrapassagem parecia algo impossível a alguns dias atrás e uma sena que não tem preço, ultrapassar e ver uma criança apontando para você e plantar em seus sonhos a semente que hoje nos faz nadar contra a maré e diferente da maior parte da população mundial, não adquirir carros que não possuem personalidade própria impulsionados pelas infinitas prestações e temerem se expor a “sorte” de adquirirem um CARRO que poderá trazer alguns inconvenientes mas proporcionar historias que farão parte de toda a sua vida e muitas vezes das de outras pessoas que você terá o prazer de conhecer…

Algo melhor do que a própria aquisição de um sonho de quatro rodas é o que este pode te proporcionar! Como as amizades que você constrói ao longo dos seus dias, os quais sempre lhe reservam algo o mais do que se você simplesmente pegar o meio de transporte estacionado na sua garagem.

Durante os primeiros quilômetros da viagem de volta ao deserto central fui ganhando confiança e conhecendo aos poucos os limites do novo “brinquedo”. De repente me pego ultrapassando os demais veículos sem sentir o motor sendo estrangulado. E naquela parte da aventura ao estar ao lado de uma dessas caretas que mais parecem locomotivas, e não se enganem pelo tamanho porque andam muito, o GSI perde força e não responde ao acelerador fazendo-me parar no acostamento e verificar o que estava errado no carro.., após alguns minutos sem encontrar o problema, a responsabilidade começa a falar no seu ouvido: “- Para que o senhor foi correr em um carro de duas décadas e que não conhece direito, e pior! Longe de casa!”

Por sorte depois de alguns instantes desligado o motor volta a funcionar bem e responder ao acelerador! Ai que verifico que mais atrás lá estava uma estação de energia de alta tenção que como já havia ouvido falar pelos mais experientes, a injeção analógica que equipa meu GSI, mais conhecida como “burra” pela maioria, sofre interferência de locais desse tipo, e realmente voltou tudo ao normal…

Após continuar na estrada, parei para almoçar em um restaurante o qual havia passado ali a quatro anos indo também para Belo Horizonte e que tive a sorte de presenciar uma das cenas que mas me marcaram na estrada nos últimos tempos, um Chevette GP II vermelho que passou “voando” e quebrando o cotidiano das estradas onde vemos apenas carros novos e cinzas…

Já perto do meu destino surge a possibilidade de “brincar” um pouco com alguém do meu tamanho e rival da própria época, um Santana Sport preto, o qual por sinal estava muito bem conservado e que impunha respeito, após alguns quilômetros me divertindo e lembrar que ainda não tinha confiança total no meu carro, resolvi voltar ao ritmo seguro. E menos de duas horas cheguei ao meu QTH de sossego!

Aos entusiastas e amigos lembrem sempre:

Carro parado não conta história!

Ass.: Barão de Sales

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